Tati Cima é a alma por trás da Cima Artes Orixás, marca baiana criada em 2017. O trabalho da artista incorpora arte e religiosidade na produção de esculturas de devoção e fé. O ateliê físico e virtual tem um catálogo de mais de cem produtos inspirados em diferentes divindades das crenças de matriz afro-brasileira, como o Candomblé e a Umbanda.

Enfermeira aposentada, Tati Cima trabalhou por quase 20 anos na assistência a pacientes portadores de câncer em um hospital de referência de Salvador, na Bahia. Ela sempre esteve em busca da espiritualidade, e ainda muito jovem ingressou na doutrina Espírita, a qual seguiu por mais de 30 anos, inclusive como doutrinadora em sessões mediúnicas. Até pela natureza da profissão, ajudou muitos pacientes em estado terminal a suportarem as dores do tratamento e a morrerem pacificados.

A Espiritualidade sempre presente

Apesar de ser espírita, também se sentia conectada aos orixás e estudava as lendas. Grande admiradora, chegou a dançar vestida de Iansã em um congresso de enfermagem quando tinha 20 e poucos anos.
 
Em busca de mais conhecimentos sobre espiritualidade, Tati estudou sobre física quântica, wicca, orixás e terapias holísticas. Foi nesse momento que conheceu a Fraternidade Branca e os Mestres Ascensos. “Aprendi que religião é uma questão particular, uma relação íntima com Deus. E quando isso aconteceu, deixei de frequentar o espiritismo e passei a fazer minhas preces e decretos em casa, diante de um altar”, lembra. 

Anos depois, em uma viagem para Goiânia, em Goiás, visitou uma casa de estudos da Fraternidade Branca e ouviu pela primeira vez a palavra “Gira”, que despertou a curiosidade pelos assuntos espirituais.

No dia 28 de março de 2015, visitou o Terluz (Templo Espiritualista Raios de Luz), que fica em Abrantes, região metropolitana da capital baiana. Desde então, a visita transformou-se em caminho espiritual. Tornou-se Umbandista, filha da casa e dos guias Oxum, Oxóssi e Iansã.

Artesanato e religiosidade

A família materna de Tati é de Coração de Maria, cidade a 85 quilômetros de Salvador. Sua avó, a mãe e algumas tias sempre se dedicaram a trabalhos manuais. Foi daí que, de certa forma, ela herdou a habilidade para o artesanato.

O artesanato e a espiritualidade sempre foram as duas forças que sustentaram e guiaram Tati Cima. Eram forças que andaram lado a lado, até unirem-se na Cima Artes Orixás.

A produção artesanal é um ritual sagrado, feito com muita devoção, em ambiente energizado pelos guias, embalado pelos pontos cantados, com muita luz. O axé da cidade em que vive nutre a criação de cada peça utilizadas na proteção, devoção e conexão com o sagrado.